06 fevereiro, 2010
19 julho, 2009
Eu sou neguinha?
"Eu tava encostad'ali minha guitarra
No quadrado branco vídeo papelão
Eu era o enigma, uma interrogação
Olha que coisa mais que coisa à toa, boa boa boa boa boa
Eu tava com graça...Tava por acaso ali, não era nada
Bunda de mulata, muque de peão
Tava em Madureira, tava na Bahia
No Beaubourg no Bronx, no Brás e eu e eu e eu e eu
A me perguntar: Eu sou neguinha?
Era uma mensagem lia uma mensagem
Parece bobagem mas não era não
Eu não decifrava, eu não conseguia
Mas aquilo ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia
Eu me perguntava: era um gesto hippie, um desenho estranho
Homens trabalhando, pare, contramão
E era uma alegria, era uma esperança
E era dança e dança ou não ou não ou não ou não ou não tava perguntando:
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu tava rezando ali completamente
Um crente, uma lente, era uma visão
Totalmente terceiro sexo totalmente terceiro mundo terceiro milênio carne nua nua nua nua nua nua nua
Era tão gozado
Era um trio elétrico, era fantasia
Escola de samba na televisão
Cruz no fim do túnel, becos sem saída
E eu era a saída, melodia, meio-dia dia dia
Era o que dizia: Eu sou neguinha?
Mas via outras coisas: via o moço forte
E a mulher macia den'da escuridão
Via o que é visível, via o que não via
O que a poesia e a profecia não vêem mas vêem, vêem, vêem, vêem, vêem,
É o que parecia
Que as coisas conversam coisas surpreendentes
Fatalmente erram, acham solução
E que o mesmo signo que eu tenho ler e ser
É apenas um possível ou impossível em mim em mim em mil em mil em mil
E a pergunta vinha:Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?"
No quadrado branco vídeo papelão
Eu era o enigma, uma interrogação
Olha que coisa mais que coisa à toa, boa boa boa boa boa
Eu tava com graça...Tava por acaso ali, não era nada
Bunda de mulata, muque de peão
Tava em Madureira, tava na Bahia
No Beaubourg no Bronx, no Brás e eu e eu e eu e eu
A me perguntar: Eu sou neguinha?
Era uma mensagem lia uma mensagem
Parece bobagem mas não era não
Eu não decifrava, eu não conseguia
Mas aquilo ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia
Eu me perguntava: era um gesto hippie, um desenho estranho
Homens trabalhando, pare, contramão
E era uma alegria, era uma esperança
E era dança e dança ou não ou não ou não ou não ou não tava perguntando:
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu tava rezando ali completamente
Um crente, uma lente, era uma visão
Totalmente terceiro sexo totalmente terceiro mundo terceiro milênio carne nua nua nua nua nua nua nua
Era tão gozado
Era um trio elétrico, era fantasia
Escola de samba na televisão
Cruz no fim do túnel, becos sem saída
E eu era a saída, melodia, meio-dia dia dia
Era o que dizia: Eu sou neguinha?
Mas via outras coisas: via o moço forte
E a mulher macia den'da escuridão
Via o que é visível, via o que não via
O que a poesia e a profecia não vêem mas vêem, vêem, vêem, vêem, vêem,
É o que parecia
Que as coisas conversam coisas surpreendentes
Fatalmente erram, acham solução
E que o mesmo signo que eu tenho ler e ser
É apenas um possível ou impossível em mim em mim em mil em mil em mil
E a pergunta vinha:Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?"
Caetano Veloso
15 julho, 2009
11 junho, 2009
07 junho, 2009
Réplica
"I. Presente perfeito
“Não foi o vermelho que expirou.” ?
Como!? Se na ficção da vida
de uma noite de janeiro,
cheio de para-sempres, o mato!
II. Pretérito perfeito
Mais:
aquele vermelho, finado e passageiro,morreu única e exclusivamente
porque assim o fiz.
Morte de minhas próprias mãos,numa disparatada e voraz
...explosão!
Toda sonora.
Cheia de força.
D’uma só vez.
Minutos depois, a calmaria...
Então (re) matei metódico,
com toques e retoques,
cheio de cuidados e esmero,
E de sorrisos na face,encerrei o vermelho.
III.Futuro do Presente
Como matemático, em voz alta,
provo o trabalho acabado.
E é na garganta que o sinto correto:
de canto é seu fado.
Ao som de canção,
(nova explosão!)
tudo novamente se dá:
um’outra felicidade;
um’outra fabulação.
E assim, em fato – sonoro –
se refaz e desfaza
vida do m-eu-lírico vermelho.
(em resposta. a mim e ao amigo rafael.)"
25 Março, 2007
a ambos..
Vendo passar ela (ou resposta ao vermelho-fato)
"Vermelho-fato.
É com enorme felicidade que vos falo
d’uma noticia fúnebre.
Aconteceu ainda há pouco,
e aconteceu para sempre.
O vermelho, como fato, deu-se e morreu.
Para tudo, o vermelho acabou de expirar.
Os homens que tratem de
arranjar nova luz
para os sinais fechados!
Os extintos partidos camaradas,
nos registros, que sejam renomeados!
que mudem de tom nos mastros!
Quanto ao comando? Ora!
Alí é certo que alguma outra cor já vigora!
Vermelho-fato.
Apreciado não só com os olhos,
mas com corpo, con tato.
Pintado! nos seus últimos
e primeiros instantes brilhou
emoldurando emoldurado.
Pleno.
Foi com toda a verdade
que é capaz de ser
uma peça, uma tonalidade.
Agora para sempre nada! nada,
além daquela breve caminhada,
naquela manhã de janeiro,
terá outra vez verdade e vermelho
no mesmo espaço-tempo.
(à desconhecida que fica)"
15 janeiro, 2007
(Ao Rodolfo e à verdade e vermelho daquele espaço-tempo..)
É com enorme felicidade que vos falo
d’uma noticia fúnebre.
Aconteceu ainda há pouco,
e aconteceu para sempre.
O vermelho, como fato, deu-se e morreu.
Para tudo, o vermelho acabou de expirar.
Os homens que tratem de
arranjar nova luz
para os sinais fechados!
Os extintos partidos camaradas,
nos registros, que sejam renomeados!
que mudem de tom nos mastros!
Quanto ao comando? Ora!
Alí é certo que alguma outra cor já vigora!
Vermelho-fato.
Apreciado não só com os olhos,
mas com corpo, con tato.
Pintado! nos seus últimos
e primeiros instantes brilhou
emoldurando emoldurado.
Pleno.
Foi com toda a verdade
que é capaz de ser
uma peça, uma tonalidade.
Agora para sempre nada! nada,
além daquela breve caminhada,
naquela manhã de janeiro,
terá outra vez verdade e vermelho
no mesmo espaço-tempo.
(à desconhecida que fica)"
15 janeiro, 2007
(Ao Rodolfo e à verdade e vermelho daquele espaço-tempo..)
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