23 julho, 2009

"Achei um 3X4 teu e não quis acreditar que tinha sido há tanto tempo atrás.."

19 julho, 2009

Eu sou neguinha?

"Eu tava encostad'ali minha guitarra
No quadrado branco vídeo papelão
Eu era o enigma, uma interrogação
Olha que coisa mais que coisa à toa, boa boa boa boa boa

Eu tava com graça...Tava por acaso ali, não era nada
Bunda de mulata, muque de peão
Tava em Madureira, tava na Bahia
No Beaubourg no Bronx, no Brás e eu e eu e eu e eu
A me perguntar: Eu sou neguinha?

Era uma mensagem lia uma mensagem
Parece bobagem mas não era não
Eu não decifrava, eu não conseguia
Mas aquilo ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia
Eu me perguntava: era um gesto hippie, um desenho estranho
Homens trabalhando, pare, contramão
E era uma alegria, era uma esperança
E era dança e dança ou não ou não ou não ou não ou não tava perguntando:
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?

Eu tava rezando ali completamente
Um crente, uma lente, era uma visão
Totalmente terceiro sexo totalmente terceiro mundo terceiro milênio carne nua nua nua nua nua nua nua

Era tão gozado
Era um trio elétrico, era fantasia
Escola de samba na televisão
Cruz no fim do túnel, becos sem saída
E eu era a saída, melodia, meio-dia dia dia
Era o que dizia: Eu sou neguinha?
Mas via outras coisas: via o moço forte
E a mulher macia den'da escuridão
Via o que é visível, via o que não via
O que a poesia e a profecia não vêem mas vêem, vêem, vêem, vêem, vêem,

É o que parecia
Que as coisas conversam coisas surpreendentes
Fatalmente erram, acham solução
E que o mesmo signo que eu tenho ler e ser
É apenas um possível ou impossível em mim em mim em mil em mil em mil
E a pergunta vinha:Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?"

Caetano Veloso

15 julho, 2009

Journaliste?



(photo: The purple list)

11 junho, 2009

07 junho, 2009

Réplica



"I. Presente perfeito

“Não foi o vermelho que expirou.” ?
Como!? Se na ficção da vida
de uma noite de janeiro,
cheio de para-sempres, o mato!

II. Pretérito perfeito

Mais:
aquele vermelho, finado e passageiro,morreu única e exclusivamente
porque assim o fiz.
Morte de minhas próprias mãos,numa disparatada e voraz
...explosão!
Toda sonora.
Cheia de força.
D’uma só vez.

Minutos depois, a calmaria...
Então (re) matei metódico,
com toques e retoques,
cheio de cuidados e esmero,
E de sorrisos na face,encerrei o vermelho.

III.Futuro do Presente

Como matemático, em voz alta,
provo o trabalho acabado.
E é na garganta que o sinto correto:
de canto é seu fado.

Ao som de canção,
(nova explosão!)
tudo novamente se dá:
um’outra felicidade;
um’outra fabulação.
E assim, em fato – sonoro –
se refaz e desfaza
vida do m-eu-lírico vermelho.

(em resposta. a mim e ao amigo rafael.)"

25 Março, 2007


a ambos..

Vendo passar ela (ou resposta ao vermelho-fato)

"Vermelho-fato.
É com enorme felicidade que vos falo
d’uma noticia fúnebre.
Aconteceu ainda há pouco,
e aconteceu para sempre.
O vermelho, como fato, deu-se e morreu.
Para tudo, o vermelho acabou de expirar.

Os homens que tratem de
arranjar nova luz
para os sinais fechados!
Os extintos partidos camaradas,
nos registros, que sejam renomeados!
que mudem de tom nos mastros!
Quanto ao comando? Ora!
Alí é certo que alguma outra cor já vigora!

Vermelho-fato.
Apreciado não só com os olhos,
mas com corpo, con tato.
Pintado! nos seus últimos
e primeiros instantes brilhou
emoldurando emoldurado.

Pleno.
Foi com toda a verdade
que é capaz de ser
uma peça, uma tonalidade.
Agora para sempre nada! nada,
além daquela breve caminhada,
naquela manhã de janeiro,
terá outra vez verdade e vermelho
no mesmo espaço-tempo.

(à desconhecida que fica)"
15 janeiro, 2007

(Ao Rodolfo e à verdade e vermelho daquele espaço-tempo..)

Movimento - chemin


Movimento - chemin


Movimento


Movimento


Resposta à Letícia

"Amor-morto.
Não foi o vermelho que expirou
A tragédia cedeu lugar à pressa
E o real contaminou a graça.

E o amor, este sim, mudou
A morte de amor, morreu
Os olhos dos amantes
Se encheram de preguiça
E a dor não mata mais.
Assim.

Os livros que tratam dos amores dilacerados
Que se dilacerem eles próprios
Ou que ardam – na brasa do sol!
Mudem de nome as criaturas
De um poeta inglês
E se criem novos heróis à maneira nova
Que secam lágrimas ao calor úmido.
Quando choram.

As amêndoas amargas de linhas colombianas
Não exalam seu perfume como dantes
Remetendo aos desejos sem ventura.
Tudo se arruma.
E a dor vem sim como um remédio
Que só no íntimo – e no gosto –
Remete às amêndoas.

Amor-novo.
De um novo entender o sol
E o frescor, o frescor raro.
À maneira nova, serão levados
Os amores – com e sem ventura!

Se a um tempo não se morre, se passa
Ao que se pode ver a extrema graça
De morrer
Um pouquinho de amor

Naquela manhã de fevereiro,
Restaram o sol e os confetes na sarjeta.
E a praça, a praça
continuava ali."

(Ao Rodolfo querido, ao rio, vermelho, ao que passa e ao que cria.) 22 de fevereiro de 2007

Vermelho-fato

Vermelho-fato
Ápice e declínio
flor sem fruto

Vermelho-fato
Vivo
na lembrança da noite.
Morto
ao raiar do dia.

Arrebatador inesperado
transformador rio vermelho
fugaz devaneio
Nuvem

Pleno
Foi início e fim
no que foi dito
no que não foi dito
no que não foi feito

Emoldurado
Anuncia outras cores
ou
a escuridão do nada

Revivê-lo
latente
Mas vermelho é rio
não se repete
desbota a cada infortúnio


"À moça que vivia na Almirante Tamandaré, que hoje mora longe e foi quem escreveu estes versos belos"

06 maio, 2009

Je veux changer d'atmosphère

"Je voudrais du soleil vert
Des dentelles et des théières
Des photos de bord de mer
Dans mon jardin d'hiver

Je voudrais de la lumière
Comme en Nouvelle Angleterre
Je veux changer d'atmosphère
Dans mon jardin d'hiver

Ta robe à fleur
Sous la pluie de novembre
Mes mains qui courent
Je n'en peux plus de l'attendre
Les années passent
Qu'il est loin l'âge tendre
Nul ne peut nous entendre

Je voudrais du Fred Astaire
Revoir un Latécoère
Je voudrais toujours te plaire
Dans mon jardin d'hiver
Je veux déjeuner par terre
Comme au long des golfes clairs
T'embrasser les yeux ouverts
Dans mon jardin d'hiver"

(Henri Salvador)

http://www.youtube.com/watch?v=8l1FEyO_0W0

Printemps

"Vida louca vida, vida breve.
Se eu nao posso te levar, quero que você me leve".

(Cazuza)