23 abril, 2007

Frame

A vida é boa, Pessoa,
ao som do mar e à luz do céu profundo
isolar o mundo
e encontrar outro...
O perfeito ali tão perto,
sorri e te acolhe no peito.

21 abril, 2007

Pretensão sobre o real


E, perante a realidade suprema da minha alma,
tudo o que é útil e exterior me sabe a frívolo e trivial
ante a soberana e pura grandeza de meus mais vivos
e frequentes sonhos. Esses, para mim, são mais reais.

Livro do Desassossego
Fernando Pessoa

15 abril, 2007



Interação, sem perguntas nem respostas. Despertar. Simples e silencioso.

Pássaro do vale

Lembro-me vagamente de ti...
confundo memória e imaginação,
restos diurnos do que seria.
Sua incerteza cansa
quem quer sempre saber.

Agora me pareces tolo e magro.
Mas ainda posso ver seu sorriso de lado,
deixa infâme de sua novela..

11 abril, 2007

Poema-póstumo

Aujourd'hui j'ai pensé à toi...
de forma inocente
não se gabe!
Alguém parecido me vez lembrar
do seu sorriso de lado
seu jeito gingado
você inteiro
incerto, brejeiro
cheio de medo
de se aprisionar...

Tempestade

Tempestade de mim mesma
leva
lava
traz furiosa...
Caem as folhas
o outono chegou.

02 abril, 2007

Nós, os foliões

Nosso amor passou, eu sei
No princípio eu não quis acreditar
Chorei
Mas depois eu tive que me conformar
Me conformei
A realidade foi maior
Aprendi nessa dor
A mágoa não compensa
E o orgulho é mais cruel
Que toda a indiferença
Pode acreditar, mulher
Nosso amor foi lindo
Como um carnaval qualquer
Que se acaba
E faz um novo dia a dia acontecer
Tão difícil assim como viver
Até um dia em que vem
Reacender alegrias e salões
Nós, os foliões
Nossas alegorias
Tão esperado e se foi
Tão colorido e lá vai
Perdendo a cor
o carnaval do nosso amor
(Paulinho da Viola)

Nada melhor do que começar com um samba,
que fala do fim...