18 maio, 2007

Tão supérfluo tudo! Nós e o mundo e o mistério de ambos

.:perturba-me a perfeita atenção às minhas sensações:.

Envenenada, ajoelha e não reza

"Ah, mas como eu desejaria lançar ao menos numa alma alguma coisa de veneno, de desassossego e de inquietação. Isso consolarme-ia um pouco da nulidade de acção em que vivo".

"Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não devia ter despertado
Ajoelha e não reza

Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza

Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa"

(Pessoa e Cê)

Paisagem

Rio, la samba des jours avec toi...
das minhas obsessões,
implicâncias,
paixões antigas e recentes,
flertes sem consequência
e inícios de namoro.

23 abril, 2007

Frame

A vida é boa, Pessoa,
ao som do mar e à luz do céu profundo
isolar o mundo
e encontrar outro...
O perfeito ali tão perto,
sorri e te acolhe no peito.

21 abril, 2007

Pretensão sobre o real


E, perante a realidade suprema da minha alma,
tudo o que é útil e exterior me sabe a frívolo e trivial
ante a soberana e pura grandeza de meus mais vivos
e frequentes sonhos. Esses, para mim, são mais reais.

Livro do Desassossego
Fernando Pessoa

15 abril, 2007



Interação, sem perguntas nem respostas. Despertar. Simples e silencioso.

Pássaro do vale

Lembro-me vagamente de ti...
confundo memória e imaginação,
restos diurnos do que seria.
Sua incerteza cansa
quem quer sempre saber.

Agora me pareces tolo e magro.
Mas ainda posso ver seu sorriso de lado,
deixa infâme de sua novela..